CARÊNCIA CULTURAL X CULTURA DESVALORIZADA

Culturas Diferentes. Não Melhores.

Dentre as mais diversas tentativas de explicação para o fracasso escolar dos alunos, uma merece ser destacada pelo caráter negativo e por ser amplamente defendida ainda hoje. Estamos falando da teoria da carência cultural. Segundo os teóricos que acreditam neste mito, e como o próprio nome sugere, o fracasso do aluno na escola advinha da sua carência de cultura, ou seja, da falta de cultura proveniente do ambiente em que vive. Ao pé da letra, isso quer dizer que as crianças pobres tinham dificuldade de aprender por terem menos cultura do que as crianças ricas.

A crença nesta teoria é justificada pela ideia de que os fatores sócio-culturais, influenciariam diretamente nas características físicas, emocionais e cognitivas de cada indivíduo, interferindo então, em sua capacidade de aprender.

A própria Maria Helena Souza Patto chegou a defender a teoria da carência cultural em sua tese de mestrado. Maria esta, que se tornou – a meu ver – a principal referência em psicologia escolar e a maior crítica de ações de opressão social depois de Paulo Freire no Brasil, vindo a se redimir – muito bem, diga-se de passagem – por ter defendido a teoria da carência cultural.

Ao sustentar esta ideia fica implícito que, só tem cultura quem mora nos bairros mais abastados, quem toma banho todo dia, quem tem água e comida de qualidade e usa roupas limpas, quem, quando quer adquirir cultura, viaja pra outro país, como se não morássemos num dos países mais ricos e abundantes de cultura. Os que não se enquadram neste contexto, automaticamente sofrem de falta de cultura – para não ser tão extremista e dizer que não possuem cultura alguma, pois é o que muitos dos que sustentam esta teoria acreditam.

O fato é que não existe ser humano neste mundo desprovido de cultura. Existem crianças diferentes, com culturas distintas, porém, culturas que não são valorizadas pelas escolas e pelo mercado de trabalho. O índio por exemplo, não tem cultura? Muito pelo contrário. Possui uma cultura riquíssima, com a qual poderíamos aprender bastante, entretanto, não é valorizada por muitos de nós e muito menos pelos que detém o poder de dizer quem é culto e quem não é. Enquanto “ter cultura” for aprender inglês, tocar piano, ouvir música clássica e acessar a internet, então uma criança da favela continuará carregando o estigma injusto e mentiroso de falta de cultura.

Esta teoria é falha em diversos pontos. Não leva em conta as diferenças individuais, contribuindo para aumentar ainda mais a desigualdade social; Sugere e acredita que existe um padrão ideal e quantitativo de cultura adquirida; Promove a segregação; Direciona os alunos “carentes de cultura” para um caminho quase sem volta rumo ao fracasso.

Não existe carência cultural, existe cultura que é desvalorizada pela minoria que detém o poder. Existem culturas diferentes e todas devem ser igualmente valorizadas. Então acredite, da criança da favela, até o filho do presidente, não existe quantidade e nem qualidade diferente entre culturas. Uma não é mais, não é melhor e não é mais ou menos merecedora do que a outra.

Cultura é extremamente subjetiva e não deve ser comparada.

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NÓS APRENDEMOS A COISA CERTA NA ESCOLA?

Acho que este vídeo abaixo responde muito bem à pergunta do título. Trata-se de um experimento elaborado por uma rádio da Bélgica para atentar sobre a forma que a educação tem sido conduzida no país e em outros países pelo mundo. Somos educados para absorver o máximo possível de conteúdos prontos e acabados, mas não para resolver problemas.

Como bons críticos que somos, impossível não questionar a forma como o experimento pode ter sido executado. Não sabemos como foram dadas as instruções aos sujeitos e muito menos se o macaco foi treinado para resolver o problema desta forma. Entretanto, pelo menos sabemos que o macaco foi educado para resolver problemas (risos).

A EDUCAÇÃO PROÍBIDA – Documentário

Será que é proibido aprender?

Num primeiro momento esta pergunta parece vaga e sem sentido, entretanto, quando a introduzimos no contexto da educação pública, mais especificamente ao movimento praticamente instituído de “podar” os críticos e uniformizar os pensamentos, esta pergunta quase que explica por si só a situação em que se encontra 99% das instituições públicas de ensino do nosso país.

O vídeo que você vai ver a seguir engloba quase tudo o que já foi dito neste blog referente às falhas do sistema educacional e do processo de ensino-aprendizagem no Brasil e no mundo. É um documentário um pouco longo, tem por volta de duas horas e meia de duração, mas é muito rico, traz conteúdos muito importantes que nos ajudam na crítica e reflexão sobre os padrões vigentes de educação dos quais estamos praticamente à mercê, visto que são padrões muitas vezes velados, que são impostos desde a entrada da criança nas instituições de ensino.

EDUCAÇÃO DOMICILIAR – Uma nova antiga prática.

Diga não à uniformização dos pensamentos.

Diferente do que pode parecer num primeiro momento, a educação domiciliar não é aquela que os professores dizem que o aluno tem que trazer de casa. Educação domiciliar, ou ensino doméstico, é a prática de alfabetizar e educar os filhos em casa em substituição total da presença destes em uma instituição de ensino (Escola). Isto se dá por inúmeros fatores, desde a descrença no processo de ensino aprendizagem das instituições, até questões de segurança. Esta modalidade de ensino é permitida e amplamente praticada em alguns países como, Áustria, Estados Unidos, Bélgica, dentre outros, e considerada crime em países como Alemanha, Suécia e o nosso Brasil. Esta foi a prática de ensino que precedeu à criação das instituições de ensino. Antes do advento das escolas, todo conhecimento que as crianças obtinham, advinha do seu ambiente familiar.

Agora eu me pergunto, e pergunto também pra quem quiser refletir ou tiver uma resposta: Por que proibir alguém de escolher a forma como educar os filhos, se este alguém julga ser capaz de oferecer uma condição de ensino e aprendizagem de qualidade, bem como estrutura física, melhor do que a maioria das escolas do nosso país consegue oferecer?

Leia esta matéria: MENOS DE 1% DAS ESCOLAS BRASILEIRAS TEM INFRAESTRUTURA IDEAL

Outra pergunta: Pra quê obrigar os pais a matricularem os filhos em escolas onde o aluno vai da primeira à nona série mesmo sem ter efetivamente aprendido algo? Esta atitude (não repetência) seria linda, desmistificando o mérito da aprovação por notas, avaliando os alunos por terem construído algo que seja significante para eles, descobrindo uma forma singular de pensar ou resolver um determinado problema. Entretanto, o que vemos é totalmente o oposto disso. Vemos um sistema falho que vai empurrando os alunos paras as próximas séries, sem terem adquirido um desenvolvimento adequado.

Não estou aqui fazendo apologia à educação domiciliar. Faço um questionamento da criminalização desta modalidade de alfabetização, sendo que o Estado não fornece condições mínimas para uma boa educação em 99% das instituições de ensino do nosso país. Por que insistir nesta obrigatoriedade dos pais matricularem os filhos em escolas, muitas vezes violentas e sem qualidade, que vão “formar” indivíduos que não pensam, só repetem conteúdos, que não questionam e aceitam tudo que lhe é dito como se fosse a verdade única e absoluta? Talvez a resposta esteja na própria pergunta.

E quem pode culpar os pais por pensarem e agirem desta forma? Aparentemente, a Justiça do nosso país pode. E culpa os pais que se arriscaram na educação domiciliar pelo crime de abandono intelectual. E QUEM VAI CULPAR QUEM POR ABANDONAR AS ESCOLAS NA SITUAÇÃO EM QUE ELAS SE ENCONTRAM? Acho que ninguém, não é mesmo? Porque buscar alternativas melhores para a educação dos filhos é crime, mas não cuidar das escolas é só má administração.

Neste link você confere uma MATÉRIA EXIBIDA NO FANTÁSTICO SOBRE EDUCAÇÃO DOMICILIAR.

RITALINA: REMÉDIO OU DROGA?

VOCÊ CONHECE A RITALINA?

Que droga você usa?

A Ritalina é uma droga que a princípio foi utilizada para controlar os alunos mais “inquietos”, principalmente os inquietos mentalmente, aqueles que não se contentam com uma explicação, questionam, pensam de forma crítica sobre os assuntos abordados pelos professores e formam opiniões próprias, diferentemente dos outros alunos que simplesmente aceitam como verdade única, pronta e acabada, tudo o que é, com o perdão da palavra, “vomitado” mecanicamente todos os dias por alguns professores. O primeiro tipo de aluno citado é indesejável e difícil de controlar, por isso o “sucesso” da Ritalina – a droga da obediência – nas escolas, pois estes seriam os trabalhadores, eleitores ou até mesmo candidatos do futuro que não iriam se sujeitar às regras impostas pela sociedade, ou aos mecanismos de controle amplamente utilizados.

Se você não conhece a Ritalina, saiba que existem muitas crianças que conhecem muito bem esta droga e não vivem sem ela, visto que causa um vício no usuário, nos pais e professores, que passam a adorar aquela nova criança quieta e “obediente”. Fato que a indústria farmacêutica vai usar a seu favor, tirando os remédios das farmácias por um tempo, para que todos fiquem desesperados e sintam muito a sua falta, para que depois seja inventada uma desculpa para justificar a escassez do remédio e este possa reaparecer nas prateleiras das farmácias custando o dobro do preço.

Abaixo segue um vídeo de uma reportagem realizada pela Globo News, com entrevista de Maria Aparecida Moysés, onde ela aborda o crescimento e o uso descabido e sem critério da Ritalina nas escolas.

Se mesmo após assistir o vídeo, você ainda pensar que não tem nada a ver, que a Ritalina realmente ajuda o aluno no aprendizado, que o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade) é uma doença orgânica e precisa ser tratada com remédios, reserve 10 minutinhos para ler e refletir sobre o artigo que se segue.

Link do artigo  POR QUE AS CRIANÇAS FRANCESAS NÃO TEM DÉFICIT DE ATENÇÃO?

E se depois de tudo isso, ainda não se convencer (não que seja esta a minha intenção) de que essa droga não deveria ser utilizada, dê uma olhada na bula do próprio remédio, onde está escrito que: 1- “seu mecanismo de ação no homem ainda não foi completamente elucidado[…] “; 2 – “O mecanismo pelo qual ele exerce seus efeitos psíquicos e comportamentais em crianças não está claramente estabelecido[…]”, isso sem contar as cronta-indicações e os efeitos indesejáveis. Alguém pode dizer que, os efeitos indesejáveis não acometem todos os usuários e eles podem ou não acontecer. O problema é que, chegamos a um ponto, onde não há sequer uma investigação médica para saber se o sujeito é apto ou não a receber a medicação. Houveram casos em que este remédio foi comprado e simplesmente distribuído para todas as crianças da escola, como se fosse merenda.

Abaixo segue uma entrevista bem completa, da mesma Maria Aparecida Moysés, concedida ao Portal Unicamp.

Link da entrevista: A RITALINA E OS RISCOS DE UM “GENOCÍDIO DO FUTURO”.

A FARSA DA MERITOCRACIA

A falsa ilusão de justiça contida na meritocracia

Esta imagem é um bom exemplo também da ideologia meritocrata. Será que existe alguém que realmente veja a meritocracia como um sistema justo de concorrência?

Meritocracia é uma ideologia que defende a ideia de que, se você se esforçar o suficiente, você vai conseguir as mesmas coisas que os outros, como ser bem sucedido nos negócios ou até ficar milionário, por exemplo, independente da sua condição econômica, classe social ou necessidades específicas.

Existe lado positivo na meritocracia? Acredito que sim. Sua tentativa falha, mas presente, de oferecer uma disputa democrática. Entretanto, pode-se pensar em legitimar esta forma de pensamento em um país onde o governo fornece condições iguais para todos. Se trazemos para nossa realidade, precisamos levar em conta que, no Brasil, não existe condições de igualdade. Existe um Sistema que governa os pobres e para os ricos.

Meritocracia no Brasil, é uma coisa tão impensável, que vou fazer uma comparação ridícula. Seria o mesmo que dar chuteiras e uniforme para um time de vôlei, inscrevê-lo em um campeonato de futebol e dizer: “todos tem as mesmas condições. Que vença o melhor.” O time de vôlei pode vencer? Pode. Mas quais as chances disso acontecer? Muito pequenas. Principalmente onde temos 200 milhões de pessoas lutando pelo seu lugar ao sol, com pelo menos 199 milhões em condições desfavoráveis.

Resumindo, meritocracia é impraticável no Brasil, mas mesmo assim, ainda tentam dizer para nossas crianças que pra elas conseguirem o que querem na vida, só precisam querer e acreditar. Só?

Mas o que tem isso a ver com a psicologia escolar?

Com a psicologia tem tudo a ver, devido ao seu caráter social, de desigualdade, etc. Com a escola também, pelo fato de a escola ser a expressão clássica do pensamento meritocrata. Pare para pensar. Como os alunos são avaliados? Por nota. Se ele tira um 10 é porque se esforçou muito, logo, MERECEU a nota máxima. Se ele tira uma nota menor, é porque não se esforçou o suficiente, logo, não MERECE uma nota 10. A partir da entrada na escola, este pensamento de “preciso me esforçar para merecer, se eu não consegui é porque não mereci, logo não me esforcei o bastante”, “se a Mariazinha conseguiu, então o Joãozinho não conseguiu porque não quis se esforçar”. Temos então, uma contradição arraigada desde os primórdios da jornada acadêmica dos alunos, onde a escola prega que todos somos iguais e temos os mesmos direitos, mas promove apenas os que “MERECEM”, os que se esforçaram e conseguiram. Porém, não é levado em conta o caminho que cada um percorre para receber o mérito. Enquanto o que sempre tira 10 joga videogame, faz curso de línguas, pratica esportes, etc., do outro lado do muro, o que tira 6 trabalha pra ajudar a família, chega tarde em casa e quase não tem tempo pra estudar, passa de ano, mas quem mereceu os méritos, foi o primeiro.

 A distância social.